Marca de moda sustentável do Vale do Paraíba estreia em São Paulo Fashion Week
Ateliê de Taubaté usa tecidos orgânicos e upcycling para criar coleção premiada no maior evento de moda do país
Redação Vale Tech Hub
02 Mai 2026·5 min de leitura
A marca de moda sustentável Raiz Ateliê, nascida em um pequeno galpão em Taubaté, fez sua estreia na São Paulo Fashion Week com uma coleção que chamou a atenção de críticos, compradores e influenciadores. A apresentação, que aconteceu no pavilhão principal do evento, marcou a primeira vez que uma marca do Vale do Paraíba participa oficialmente da semana de moda mais importante do Brasil.
"A gente nunca sonhou em estar aqui", confessa a fundadora, Juliana Ribeiro, aos prantos após o desfile. "A gente só queria fazer roupa bonita que não destruísse o planeta. Que a SPFW tenha aberto essa porta mostra que a moda está mudando."
A filosofia da marca
O Raiz Ateliê nasceu em 2023, quando Juliana, estilista formada pelo SENAC de Taubaté, decidiu transformar seu projeto de conclusão de curso em uma marca real. O conceito era simples: criar peças atemporais usando apenas materiais sustentáveis — algodão orgânico de pequenos produtores do interior paulista, linho natural, seda cruelty-free e, principalmente, upcycling de tecidos industriais descartados.
A coleção apresentada na SPFW, chamada "Ciclo", usou 100% de materiais reciclados ou orgânicos. Vestidos fluidos, blazers estruturados e calças amplas em tons de terra, verde musgo e terracota compuseram um desfile que parecia mais uma instalação artística do que uma passarela tradicional.
"O styling foi impecável", escreveu a crítica de moda do jornal O Globo. "Juliana Ribeiro provou que moda sustentável pode ser luxuosa, desejável e, acima de tudo, relevante."
O ecossistema de moda do Vale
A presença do Raiz Ateliê na SPFW não é um caso isolado. Nos últimos 18 meses, o Vale do Paraíba viu surgir pelo menos 8 novas marcas de moda, muitas delas com foco em sustentabilidade e tecnologia têxtil. O Vale Tech Hub, tradicionalmente associado a startups de software, começou a incluir projetos de moda e design em seus programas de aceleração.
"A moda é uma indústria criativa que usa tecnologia tanto quanto o software", argumenta o coordenador de inovação do hub. "Desde impressão 3D têxtil até plataformas de supply chain, o ecossistema tech pode impulsionar a moda local."
O hub está estruturando, para o segundo semestre de 2026, uma trilha de aceleração para marcas de moda, com mentoria em negócios, acesso a fornecedores sustentáveis e conexão com varejistas digitais. A iniciativa já tem 12 marcas interessadas, incluindo o Raiz Ateliê.
Próximos passos
Após o sucesso na SPFW, o Raiz Ateliê recebeu propostas de compra de grandes varejistas nacionais e uma loja conceito em São Paulo. Juliana, no entanto, mantém os pés no chão — e a produção em Taubaté.
"A gente pode crescer, mas a raiz fica aqui", diz ela, em referência ao nome da marca. "O Vale do Paraíba tem talento, tem material, tem história. A gente só precisava de uma vitrine. A SPFW foi essa vitrine, mas o trabalho de verdade continua sendo feito no nosso ateliê, costura por costura."
A coleção "Ciclo" estará disponível para venda online a partir de junho, com preços acessíveis que contrastam com o luxo apresentado na passarela — mais uma prova de que a moda sustentável pode ser democrática.
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